A mulher contemporânea

Costa Assunção, escritor e advogado.

8 de março de 2023

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Costa Assunção, escritor e advogado.
Costa Assunção, escritor e advogado.

No dia consagrado à mulher, desejo que todas as mulheres entendam que uma das maiores virtudes de uma pessoa é a compreensão das limitações de cada um de nós. Ainda que possamos ser autossuficientes no pensar e no agir, nossa condição de ser social exige de todos nós o diálogo e a atenção com o outro

Uma forma de exercitar o diálogo, próprio da sociabilidade, é buscar a cooperação com o próximo. Colaborar faz bem, enriquece o espírito e nos torna úteis. Porém a verdadeira colaboração significa doação espiritual, e muitos confundem com doação material, que, em certos casos, é prejudicial, na medida em que o beneficiado com a doação material, ou até mesmo o doador, não consegue demonstrar o significado espiritual inserto no gesto de doação.

Vejo, no mundo contemporâneo, um grande número de mulheres reclamando de maior espaço na vida política. Também se tornou recorrente notar que as pesquisas sócio-econômicas sempre dizem que a mulher, na sua atividade profissional, não é devidamente remunerada; ganha menos do que o homem. 

Relatório da Global Gender Gap 2021, do Fórum Econômico Mundial, aponta que mulheres ganham, em média, 32% menos do que os homens. Esses são dados de 156 países, em 2021. O Fórum Econômico Mundial de 2021 informa que aumentou a diferença salarial entre homens e mulheres após o impacto da pandemia covid-19, causando uma grande lacuna global de gênero, e conclui: “Another generation of women will have to wait for gender parity” > https:// weforum.org/reports/global-gender-gap-report-2021/digest >. A tradução: outra geração de mulheres terá que esperar pela paridade de gênero.

Muitos não observam, entretanto, que a análise da condição e valorização da mulher, no mundo contemporâneo, está baseada em quatro dimensões-chave, melhor dizendo, em quatro fatores que dependem da própria luta da mulher para reconhecimento do seu valor social: 1) participação e oportunidade econômica; 2) escolaridade; 3) saúde e sobrevivência; 4) empoderamento político. Ou seja, depende da própria mulher saber até onde pretende chegar.

Devemos ponderar, contudo, em que pese todas as dificuldades enfrentadas para nivelar-se econômica e financeiramente ao homem, que a mulher contemporânea, do ponto de vista social, é bem superior à de épocas passadas.

Desejaria, portanto, que a mulher contemporânea, ainda que buscando maior espaço na sociedade, levasse em conta que o valor espiritual da vida é muito mais importante do que munir-se em acelerada competição com o homem. De nada adianta obter salários compatíveis com o homem, ou se tornar uma agressiva competidora com o homem no ambiente de trabalho, se lhe faltar a doçura no momento certo, se não tiver a dedicação ao lar e aos filhos, qualidades inerentes de uma grande mulher, virtudes que as tornam diferenciadas e até superiores a muitos homens.

O diálogo da mulher com o homem é essencial à vida em sociedade. A mulher agressiva, que muitos também denominam de “guerreira”, pode ser muito importante para si mesma ou para o encorpado grupo de feministas ou de mulheres independentes que não conseguem manter uma vida saudável ao lado de um homem; mas se essa mulher “guerreira” não souber agir com doçura e compreensão, quando se fizer necessário, ou se for incapaz de travar um diálogo franco e aberto com o homem, ou se lhe faltar a capacidade de manter um lar, ou se não souber cuidar ou deixar de fazer a sua parte na educação dos filhos, mesmo que venha a se tornar uma empresária bem sucedida, não passará de uma ilusória e triste personagem de uma sociedade em decomposição, além de portadora de uma vida a desafiar um mundo mais difícil e conturbado, onde não há lugar para momentos felizes e gratificantes através de uma vida simples e sem afetação, dedicada aos valores espirituais, os únicos pilares construtores de uma vida digna voltada para os bons costumes e a família.

Jamais defenderia que a mulher deva estar abaixo do homem, sequer que deva viver às custas dele, muito menos que tenha de aceitar um homem violento ou que não lhe tenha o devido respeito. Claro que toda mulher precisa ser bem orientada e respeitada, tudo com vistas a buscar uma vida digna. É o quanto basta para atingir uma meta de vida.

Inegável, portanto, que, se todos os indivíduos têm direito a uma vida digna, a mulher também goza de direitos inalienáveis; mas empenhar-se em se tornar melhor do que o homem não fará dela uma mulher interessante, e jamais fará dela uma grande e espiritualizada mulher.

Viver com humanidade, usando como melhor solução o diálogo diante de posições conflitantes e para enfrentar os grandes desafios e problemas do mundo, que sempre será formado por homens e mulheres, é o que desejo a todas as mulheres na data em que a ONU comemora, desde 1977, o Dia Internacional da Mulher.

        

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