Manchester City, um debutante no Mundial de Clubes

Costa Assunção, escritor e advogado.

2 de janeiro de 2024

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Costa Assunção, escritor e advogado.
Costa Assunção, escritor e advogado.

Abalizada a opinião do Galvão Bueno, conhecido profissional da crônica esportiva brasileira, quando reconhece a maior qualidade técnica do time inglês, portanto, com mais condições de vencer a partida contra o Fluminense. Apesar disso, o Galvão não deixa de reconhecer que o Fluminense, no primeiro tempo de jogo, mesmo surpreendido com um gol relâmpago aos 40 segundos, teve mais posse de bola, até os 30 minutos da primeira etapa da partida.

A maior posse de bola do time tricolor não significou, entretanto, que o Fluminense dominava o jogo, considerando que não passava da zona intermediária do campo e geralmente esbarrava na defesa bem plantada do Manchester City. Contudo, esse foi o melhor momento do time das Laranjeiras, que o Fernando Diniz poderia ter explorado, se tivesse substituído jogadores veteranos por atletas mais jovens e capazes de dar maior movimentação ao time, como o Johnny Kennedy e o Lima.

Tivesse feito as trocas necessárias, ainda na etapa inicial, quando o Fluminense teve mais posse de bola e poderia contar com jogadores mais rápidos como o Johnny Kennedy e o Lima, e não seria surpreendente que o time brasileiro tivesse chegado ao gol de empate, pois, já naquela jogada do lance do Cano impedido, o Fluminense dava mostras de que tinha condições de empatar o jogo.

Mas é cabível dizer agora, depois da derrota sofrida pelo time brasileiro, tendo em vista o comentário do Galvão Bueno sobre a qualidade do time inglês, considerando, acima de tudo, a enxurrada de comentários apontando o time europeu como uma maravilha do futebol, e ainda diante da pífia declaração do próprio Fernando Diniz  justificando a derrota humilhante e dizendo que o time inglês “é o melhor da história” (sic), que todos possam entender, de uma vez por todas, ser um tremendo disparate apontar Manchester City, inegavelmente superior ao Fluminense, como o maior time da história. O City está longe dessa sonhada posição

Nem o Barcelona, que goleou o Santos de Neymar por 4 a 0 na final do Mundial de Clubes de 2011, pode ser considerado o melhor time da história. Naquele dia, jogou contra um Santos inferior, inteiramente perdido em campo; não deixou o time santista jogar naquele infausto tropeço do futebol brasileiro. Aquela foi uma jornada mais decepcionante para o futebol brasileiro do que essa do Fluminense contra o City.

Não há dúvida de que o Manchester City é um time aplicado e bem treinado e está entre um dos melhores do mundo. Mas não é superior ao Real Madrid, e nem ao Bayern de Munique, por exemplo. Não é o melhor time inglês da temporada: derrotado três vezes, uma delas para o Wolves, time intermediário da Liga, ocupa o 3° lugar, atrás do Liverpool e Aston Villa. 

Não é tarefa fácil apontar o maior time da história, mas com certeza não é o City, que, apesar de ser o último campeão europeu e ainda estar jogando a fase de grupos da Liga dos Campeões da UEFA 2023-24, não vem fazendo uma boa temporada no campeonato inglês. 

Precisam entender, aqueles do elogio fácil, deslumbrados com o time inglês, que o City só agora chega ao seu primeiro título mundial, sequer tem tradição de grande time europeu, e tendo agora, pela primeira vez, chegado a um título da Liga dos Campeões, apenas conseguiu se igualar a um dos seis times europeus a vencer a competição europeia uma única vez, dividindo essa posição com o Celtic (1967), Hamburgo (1983), Steaua Bucareste (1986), Olympique de Marseille (1993) e o Borussia Dortmund (1997). 

Notar que o City, com apenas um título na Liga dos Campeões da UEFA, soma menos do que o Porto (1987 e 2004), tradicional clube de Portugal, conhecido mundialmente; Nottingham Forest (1979 e 1980), outro tradicional clube do futebol inglês; Chelsea (2012 e 2021), clube inglês que se destacou mundialmente a partir dos anos 2000; Benfica (1961 e 1962), outro grande e tradicional clube do futebol português e mundial; e a Juventus (1985 e 1996), tradicional e vitorioso clube da Itália, conhecido mundialmente, cerca de 70 títulos, somados os nacionais, internacionais e continentais, o segundo melhor time da Europa, entre 1901 e 2000, esses com dois títulos. E ainda tem a Inter de Milão (1964, 1965 e 2010) e o grande rival, Manchester United (1968, 1999 e 2008), esses com três títulos na Liga dos Campeões da UEFA, mais vitoriosos do que o atual campeão de clubes, um debutante no cenário do grande futebol mundial de clubes

Fica bem mais abaixo, se comparado com os grandes campeões da Liga dos Campeões da UEFA: Real Madrid (14 títulos), Milan (7 títulos), Liverpool (6 títulos), Bayern de Munique (6 títulos), Barcelona (5 títulos) e Ajax (4 títulos). 

Citizens, completando a irresistível comparação, está bem longe de superar o maior de todos os campeões mundiais, o Real Madrid, 5 vezes campeão da Copa do Mundo de Clubes da FIFA (2014, 2016, 2017, 2018 e 2022), 2 vezes campeão da Copa Intercontinental (1998 e 2002) e 14 vezes campeão da Liga dos Campeões da UEFA. O clube espanhol, aliás, lidera o ranking mundial com títulos importantíssimos; já o City, em termos de conquistas, não chega a ser um fantasma incomodativo do time espanhol.

Historicamente mais importante no cenário internacional, muito acima do City, que ficou 25 anos sem obter uma classificação para ligas europeias e foi rebaixado seis vezes no Campeonato Inglês, inegavelmente é o Real Madrid, o mais prestigiado clube europeu.

Barcelona-ESP (3 vezes campeão do Mundial da FIFA, 5 vezes campeão da Champions League), Bayern de Munique (2 vezes campeão do Mundial da FIFA, 6 vezes campeão da Champions League) e Milan (campeão do Mundial da FIFA em 2007, 3 vezes campeão da Copa Intercontinental, 7 vezes campeão da Champions League), completam a lista de mais vitoriosos do que o City, vencedor do Mundial de Clubes numa disputa contra um time brasileiro que nem mesmo é o quinto do ranking nacional e terminou o Campeonato Brasileiro/2023 em 7° lugar.

O City precisa superar, em importância de títulos internacionais, até mesmo clubes da Liga Inglesa, como o Liverpool (campeão do Mundial de Clubes da FIFA em 2019 e 6 títulos da Liga dos Campeões), Manchester United (campeão da Copa Intercontinental de 1999, campeão do Mundial de Clubes da FIFA em 2008 e 3 títulos na Liga dos Campeões da Europa) e o Chelsea (campeão do Mundial de Clubes da FIFA em 2021 e 2 títulos da Liga dos Campeões da Europa).

Se tivéssemos que apontar o maior time da história do futebol, considerando a qualidade do elenco, em sua época, a grandeza das conquistas e sua importância para a evolução do futebol mundial, o City há de ficar anos-luz abaixo do Santos de Pelé. Induvidosamente, no seu auge, a partir de 1956, e durante toda a década de 1960, o time da Vila Belmiro foi o grande esquadrão do século XX, quando teve o maior jogador de futebol que o mundo já conheceu, Pelé. 

Durante toda a década de 1960, o grande Santos se tornou uma máquina de jogar futebol. Passou a excursionar fora do país e foi o maior representante brasileiro no futebol mundial. Todos os grandes centros europeus pagavam cachê alto para ver uma partida do Santos Futebol Clube, mas exigiam a presença em campo do seu inigualável e extraordinário jogador, Pelé, que, desde a Copa do Mundo de 1958, consagrou-se como o maior gênio do futebol mundial.

O Santos daquela época, que conquistou dois campeonatos intercontinentais (1962 e 1963), reconhecidos pela FIFA como títulos de campeão mundial, nunca foi superado.

Real Madrid, que venceu, com sobra, a primeira Copa Intercontinental em 1960, ao golear o Peñarol por 5 a 1 na partida final, faz por merecer, em virtude de suas grandes conquistas internacionais, a condição de sucessor do grande Santos, embora o time brasileiro reunisse astros de maior grandeza.

Tendo vencido praticamente todas as grandes competições de que participou ao redor do mundo, o Real Madrid, que sempre disputou todos os títulos importantes da Europa, passou a ser considerado o melhor time do mundo. Quase uma década vencendo os mais importantes torneios internacionais, com pequenas e breves lacunas em favor de outros grandes do futebol mundial, como o Barcelona e o Bayern de Munique, que, no século XXI, souberam formar times respeitáveis.

Haja vista, portanto, os grandes feitos obtidos no futebol mundial e o brilhantismo exibido por seus esquadrões em grandes centros futebolísticos, o Santos de Pelé, o melhor time do século XX, e o Real Madrid dos nossos dias, o melhor time do século XXI, são inigualáveis; City ainda precisa mostrar que é muito mais do que um clube muito rico, um dos seis mais valiosos do planeta, de propriedade da City Football Group, uma holding da Abu Dhabi United Group, que, em agosto de 2008, comprou o clube inglês.

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